terça-feira, 25 de agosto de 2015

SOU EU QUEM ENCENA O MEU TEATRO



No teatro de marionetes, eu sou mais um boneco.
Não o que brilha quando as cortinas se abrem
Nem o que é aplaudido quando as luzes se acendem.

Talvez o coadjuvante com uma fala qualquer.
Ou aquele esquecido num canto, que só uma vez ou outra entra em cena.
O ator frustrado de pequenos papéis, o figurante mudo de algo sem audiência.

Mas no espetáculo da vida, sou eu quem dirijo as minhas próprias cenas
Atuo com segurança as linhas escritas por mim
Represento meu próprio papel, sou protagonista da minha própria história.

Meu monólogo não tem espectadores, sou eu quem me assisto através do espelho.
Sou o artista que se aplaude.
Não preciso de espectadores, sozinha sou minha própria platéia.

Sei quem sou e qual o meu papel
Sou a atriz principal no show da minha vida.
Não há dublês nas ações perigosas;
Minhas comédias só aos outros fazem rir; 
Meus dramas são encenados no meu íntimo; 
E as ficções não se enquadram na minha realidade.

Não há heróis nos meus quadrinhos
Não há cavaleiros nas minhas épicas batalhas
Minhas guerras, luto-as internamente
E os romances vividos... Acabam quase sempre em tragédias.

A minha auto biografia, sem continuações, vem sendo escrita por um autor renomado
Que apostou em um iniciante.
Escrita por Deus, que escalou um iniciante nos caminhos da vida,
Sempre aprendendo com um novo personagem, com outros atores e com novas histórias.

No filme da vida, o "gravando" conta desde que vim ao mundo , e o cortar da cena final, marcará o fim da história do que fui e deixei ser, do que aprendi e ensinei, do que rasurei e do que deixei escrito para ser lido.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O IMENSO VAZIO QUE O RIO TRAZ



O rio ainda que transbordante nada possui, pois tudo que ele recebe, se vai tão rapidamente...
O rio com seu imenso vazio sabe para onde ir, e não se apressa, sabe que ora ou outra vai chegar.
Ele conhece a calmaria, e tem intimidade com a tempestade, tudo suporta, tudo sofre, tudo espera. Pois sabe que seu curso já foi escrito e seu caminho é um só, seguir seu destino.

A imensa solidão não impede o rio de correr, de oferecer suas águas àqueles que o maltrata. De ser o frescor a quem em seu leito se achega.
Ele a todos recebe, bons ou maus tem lugar em suas águas e em seu imenso vazio.

Das margens não é possível conhecer o rio, nem ele a si mesmo conhece, pois não se encontra duas vezes com as mesmas águas. Elas vem e vão, deixando-o só, com suas muitas lembranças.

Quando suas águas encontram dificuldades para passar, ele aponta um novo caminho.
Ensina as águas a atravessar as pedras, a mudar a direção.
O amor, assim como o rio faz com suas águas, aponta um novo caminho toda vez que encontra obstáculos.

Bertolt Brecht sabiamente citou "Todo mundo chama de violento a um rio turbulento, mas ninguém se lembra de chamar de violentas as margens que o aprisionam"
A margem não se importa com o rio, ela o oprime, não o deixa correr, ela se estende por todo o rio, mas não deixa o rio sobre ela se estender.
Mas o rio não se importa, se sente feliz em seu imenso vazio, se sente em paz no seu imenso silêncio, sabe lhe dar com o barulho dentro dele, e se sente útil por refletir a luz das estrelas e fazer a noite mais clara.

Jamais o rio se encontrará com as mesmas águas, essas já passaram.
Outras haverão, essas não mais. Ele espera ansioso por novas águas.
Mas as muitas águas não conseguem apagar o imenso vazio que o rio traz.