As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade. [Victor Hugo]
domingo, 26 de junho de 2022
TOMARA QUE A GENTE NÃO DESISTA DE SER QUEM É
terça-feira, 23 de novembro de 2021
O PASSADO NÃO LHE CABE MAIS
Ela enterrou o passado, achou que assim seria feliz.
Colocou um ponto final, não olhou para trás, ela só quis viver.
Deixou suas marcas curarem e as cicatrizes serem apenas lembranças
Foi em busca do que queria ser, deixando para trás o que fora.
Ela foi feliz e sorriu, mas o passado enterrado não morreu.
É impossível fugir do que já fomos, das marcas que o passado deixou em nós, pois o que nos tornamos faz parte do que fomos, para o bem e para o mal.
O passado está sempre acontecendo, não importa se queremos ou não.
Ele está sempre conosco, de um modo ou de outro.
O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.
Ela entende que aceitar o passado significa admitir que as coisas nunca mais voltarão a ser como antes.
Ainda assim ela só quer viver. Sabe que o tempo não cura nada, ele só distancia o foco daquilo que ela quer esquecer.
Mas ela quer deixar o tempo passar e o vento soprar para longe o que é ruim.
Ela não quer deixar as tristezas do passado e as incertezas do futuro estragarem as alegrias do presente.
Nem sempre é por falta de sentimentos que a gente vai embora
Soltar, entregar, deixar ir também é amar.
Sem pressa, sem dor, sem culpa.
Não adiantaria falar sobre ontem, porque hoje somos pessoas diferentes.
Se não ficou, é porque não havia lugar.
O passado não cabe mais nela, é roupa gasta que não serve mais.
Ela só quer ir pra casa, rir das coisas bobas.
Não quer coisas complicadas, ela é simples.
Não quer colocar o peso do passado sobre os ombros de ninguém.
Ela só quer a leveza de viver em paz.
terça-feira, 11 de maio de 2021
EU APRENDÍ COM A VENTANIA
Busquei nas imperfeições algo que me faria ir pelo caminho certo, me encontrar.
A distância me fez enxergar além, aprendi enquanto eu ia, levei comigo a saudade.
Entendi que as palavras dizem demais, e que o silêncio, muitas vezes, é a melhor resposta.
Os ventos fortes me levaram para longe;
Os muitos ventos me guiaram;
Aprendi tudo com a ventania.
Compreendi que alma do outro, é outro universo e cheio de barulhos.
Ser presença é ser gestos, ser suficientes palavras, e o resto: silêncio.
Muitos caminhos encontrei
Em todos eles eu me perdi.
Aprendi caminhando, que o andar transforma o andarilho.
Enquanto caminhava meditei:
Fomos feitos senão para os pequenos silêncios: o do coração, o dos pensamentos, o dos sonhos e dos olhares profundos, esses são os silêncios que mais nos falam e os que menos ouvimos.
Minha alma suspirou palavras, eu as compreendi.
Eu as soprava ao vento, ninguém melhor para entende-las.
Eu colocava nelas sentido e valor.
Me dei conta que fui em busca das palavras e respostas e voltei com uma bagagem cheia de silêncios e sentidos.
sexta-feira, 26 de março de 2021
A VIDA NOS PEDINDO UM INSTANTE
Hoje acordei cedo, contemplei a natureza.
O encanto matinal trouxe um ar de reflexão.
Os dias já não passam tranquilos, apesar do silêncio os dias são agitados dentro de nós
O mundo parou, a correria deu lugar a descontinuação, as incertezas e nós fomos obrigados a retroceder.
Os projetos foram suspensos, os sonhos interrompidos. Tão acostumados a viajar pelo mundo, fomos obrigados a voltar para dentro: dentro de nós, dentro dos nossos.
Agora estamos tão perto, estando tão longe.
No outro vejo refletida a minha totalidade. Nada sou, se no outro não me vejo.
O mundo parou e a natureza respira, na ausência da humanidade ela renasce.
Enquanto nosso mundo se apequena, a natureza cresce.
Somos sufocados pelas janelas e grades e ela exuberante respira
A natureza prossegue girando no compasso do tempo que mais lento está.
É a flecha que tem por destino a natureza crescer na direção contrária?
Negamos a ela a real necessidade que é a de estar livre, sem saber que desta forma, o prisioneiro somos nós.
Temos aprendido que não sabemos nada.
O mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam que poderiam dominar a natureza, mas, na verdade, não dominam a si mesmos.
Admiramos e sonhamos com um mágico jardim de rosas no horizonte alheio, ao invés de desfrutar das rosas que estão florescendo do lado de fora de nossas janelas.
E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste.
Despedir-se é o arremate de uma história que terminou, que precisa sair de perto da gente, mas que nunca sai de dentro.
As despedidas são apenas aos olhos. Porque para o coração e alma a presença fica para sempre.
Tivemos que parar a vida, para perceber o que a natureza nos quer dizer
A natureza é a vida, seu movimento de rotação em torno de si mesma, que não conhece descanso, nem repouso nos mostra que nós somos iguais a ela, girando ao redor de nós mesmos.
A diferença é que enquanto ela olha pra nós, nós não a olhamos de volta.
E sem olhar pra ela, tiramos dela tudo que ela tem.
Um dia, ela nos pede de volta.
A terra pede socorro, é o homem construindo e destruindo a sua casa.
O mundo ficou frágil e degradado, dias mais quentes e noites mais curtas.
A vida nos pede um instante.
Reflita, ainda há tempo.
Volta, recolhe teu ser no silêncio que habita a natureza
Ela é tua morada, e cuidar da tua casa começa por ti.
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
DIAS COMUNS
Era uma tarde qualquer, pessoas passando, lugares comuns.
Um livro, um café, um canto.
Um encanto, uma poesia, um encontro.
Percebi que algumas ausências, já não se fazem presente aqui dentro.
Pois já não sou mais quem eu era, meus passos me mudaram.
Pessoas deixaram de ser quem eu as idealizava, para ser simplesmente elas.
Tudo aconteceu num dia comum, de pensamentos profundos.
Dias felizes e repletos de paz.
Dias de sorrisos sinceros e flores na alma, com lembranças do que importa e com a certeza de que a gente é capaz de ser feliz.
Das ausências, saudades brandas.
Do que passou, lembranças.
No coração nada ruim foi guardado, apenas colocado em outro lugar
Não para relembrar, mas para não mais se perder.
De repente, a gente enxerga felicidade nas coisas miudinhas: no caminhar do velhinho, no canto de pássaro, no cheiro na terra, no som da chuva, no riso de criança, nas cores das flores.
De repente a gente aprende que ser feliz é simples.
O aprendizado pode ser doloroso, mas num dia comum, você descobre que as ausências já não doem mais.
terça-feira, 6 de outubro de 2020
RESPIREI O PERFUME DO JARDIM NO COLORIDO DA MANHÃ
Desci as escadas e sai descalça, pisando no verde da grama, colhendo a beleza as flores, e brincando com a alegria das rosas.
Dei um passeio por entre as árvores, experimentei o sabor das frutas.
Senti o gosto do tempo, nas asas do vento.
O coração batia em suave compasso, não se incomodando com as esperas.
Experimentei a vida nas cores da primavera, enquanto é tempo de rosas.
Abri espaço para o novo brotar, floresci.
A primavera é o tempo da despedida das frias paisagens e do anteceder dos tons do verão.
É o tempo de exalar novos aromas nos envelhecidos ramos.
Os dias mais coloridos, mais perfumados.
As flores sabem que a primavera passa depressa, e apenas florescem.
Assim como a primavera quero renascer cada dia mais bela, por dentro, onde tem o que há de mais belo.
Quero a serenidade do sopro do vento no farfalhar das folhas
Quero me renovar a cada estação, exatamente como a primavera que nunca tem as mesmas flores.
Guardo na memória o cheiro do perfume das rosas.
Das flores, minhas lembranças mais bonitas.
Nos dias em que chegar o inverno e não tiver o perfume das flores, sentirei falta das cores.
Mas as lembranças da primavera continuarão comigo, na esperança que novas flores irão colorir o meu jardim.
quinta-feira, 27 de agosto de 2020
NOVOS ENCONTROS COM VELHOS MOMENTOS
Moro no mesmo lugar desde que nasci.
Hoje a tarde faltou luz, e eu fui ao pet shop comprar comida para os pets, na ida não me atentei, fui no automático como costumamos viver. Na volta, olhando menos para dentro e mais para fora, comecei a observar e vi a rua da minha infância.
É a mesma rua que eu moro, que passo todos os dias, mas que faz tempo que eu não via.
Sem o barulho da serra que a serralheria produz, das máquinas da mecânica, dos rádios altos ou mesmo das TVs, e no meu silêncio interior, ouvi o som das crianças brincando, das pessoas fora das casas conversando, do martelo da construção, dos pássaros cantando e me dei conta que ouvia o barulho da minha infância.
O som das tardes após chegar da escola e correr para brincar os amigos. Minha mãe nunca me obrigou a fazer o dever de casa na hora que ela queria, eu só precisava fazê-los. Comia se tivesse fome, e tomava banho a hora que entrasse em casa, era uma infância feliz, cheia de liberdade, cheia de dias de luz.
Eu rodava o mundo de bike, jogava vôlei na rua, brincava com os meninos, escorregava no barranco de barro, fazia fogueira nas noites frias e ficava na calçada até tarde nas noites quentes. Nossos pais não se preocupavam, pois os pais cuidavam dos filhos uns dos outros.
Há muito eu não relembrava esses momentos.
Existe um sentimento que nos percorre o corpo e nos toca a alma, quando nos vem à lembrança da infância.
Hoje as lembranças me trouxeram saudades, não sei se da infância ou simplesmente do que ela representava: meus pais aqui comigo, meus irmãos em casa, a casa cheia, os amigos que estavam á distância de um grito no portão.
Trago marcas, de uma infância cheia, repleta de dias de luz.
As preocupações eram a ordem do dia: do que brincar hoje, ter dever de casa pra fazer, o prato que eu ia pedir para a mãe cozinhar, os brinquedos e brincadeiras que nós mesmos criávamos.
Eu senti o cheiro da minha infância, do feijão temperado da minha mãe, da água sanitária da casa limpinha, do sabonete recorrente que a gente usava, do cheiro de terra, do cheiro de lama, do cheiro de chuva.
Nada disso foi embora, está tudo lá em algum lugar dentro de mim, mas já não são mais as mesmas, nós já não somos mais os mesmos.
Os tempos de infância nos lembram demasiadamente a inocência e as mais lindas memórias da vida, porque é nela que mora toda docilidade de uma inocência que um dia enfeitou a nossa mais pura essência.
Fui remando até à infância, deixando-me boiar na recordação.
E num dia sem luz, senti saudades da infância, de momentos cheio de luz, ao ter novos encontros com velhos momentos.









