terça-feira, 8 de agosto de 2023

DA VIDA SÓ CARREGO O QUE NÃO PESA

 


Os últimos anos não foram fáceis, muitas perdas e poucos encontros. Mas estamos de pé, caminhando pelos caminhos que escolhemos e colhendo o que plantamos no caminho. 

Sou grata a Deus por não me dar tudo o que pedi, e por levar coisas ou pessoas que eu quis aqui, mas que não deviam ficar. 

Eu aprendi com a vida que ser feliz é mais fácil, então desobedeço a tristeza algumas vezes. 

Outras vezes dou voz ao choro, as lágrimas lavam a alma quando ela precisa de limpeza.


O tempo ensina que não temos o controle absoluto sobre nossas vidas. 

Há circunstâncias que trazem tempestade ao nosso mar, e por mais que o marinheiro tenha o leme nas mãos, nem sempre irá prever um mar revolto. 

O mundo não para por você, e respirar pode ser a solução do momento. 

As vezes, o mundo está agitado demais para tentar entender.

Então eu respiro, a respiração é a mente se aliviando, a alma se purificando, o desespero tentando se controlar.


Somos capazes daquilo que realmente temos vontade de fazer, o que mais nos impulsiona é acreditar que é possível.

Se deu errado, olhe para frente e para dentro, corrigir as falhas e acertar os passos, faz o caminho ser mais fácil.

Os dias nublados são como os dias de sol, somente suas cores são diferentes.


Sou feliz por entender que os pequenos acontecimentos diários é que tornam a vida especial e que o aprendizado nunca termina. 

Vou falhar algumas vezes, mas não há perdas, ou eu ganho ou eu aprendo.

Não existem partes da vida que não contenham lições. 


Da vida só quero levar o que não pesa, o que é fácil carregar, o que não dói, e o que ocupa espaço sem me bagunçar. 

Só quero o que caiba nos braços, os beijos, os laços, não preciso dos nós, de nenhuma partida eu faço questão.

Nos passos do caminhar dos anos, só quero comigo as risadas soltas, os abraços apertados, o amor sem medida, o sossego e a leveza, a esperança e a beleza, pois eles cabem certinho no meu coração.

terça-feira, 27 de junho de 2023

A CASA E A CABANA

 


A vida é uma lista do que perdemos

Do que nos deixa, e do que deixamos

A perda é um processo indissociável da vida.

Cada encontro está carregado de perdas.


Eu cresci querendo conquistar o mundo, e lutei muito por isso.

Conquistei tudo  que sonhei, mas no caminho me perdi.

Quando me dei conta que eu tinha tudo o que queria, me vi sem sonhos pra sonhar, e sem objetivos a seguir, e me dei conta de que não sabia viver assim. 

O que me movia era o processo e não a conquista, nesse momento me vi sem mim. 


E sem mim, fui perdendo, aos poucos, tudo o que construí, as pessoas que conquistei e o tempo foi levando alguns outros que me eram insubstituíveis.

Eu precisava de mim, de me buscar, me encontrar, então deixei tudo pra trás e saí por ai.


Sem rumo e sem direção eu ia onde o vento me levava, comendo o que tinha a disposição e dormindo onde batia o cansaço.

As perdas inesperadas e insubstituíveis me deixaram à deriva abalaram uma construção que eu julgava sólida, me desmoronou. 

Eu precisava me reconstruir


Lembrei que quando criança nas viagens de férias, minha irmã e eu nos refugiávamos em uma cabana, perto do lago, que nosso pai construiu pra nós, perto da nossa casa de campo.

Há muitos anos não voltava lá, desde que comecei a preferir a mim, a viajar com os amigos e não me importar com a família. Fazia tanto tempo...

Perdi meus pais, minha irmã foi morar fora e eu nunca mais voltei lá.


Resolvi ir até lá. A casa estava envelhecida, desgastada, com paredes descascadas e muros ruindo.

Fui até a cabana e tudo estava um caos, praticamente não existia mais, perdeu o brilho, a beleza e o aconchego.

Pouco carregamos conosco além dos anos e fui aprendendo a vida nas perdas.


Em meio a destruição, eu me vi: quebrado como as portas, rachado como as paredes, sujo como o chão.

Me dei conta que perdi tudo o que nunca tive, e na verdade o que eu sempre tive estava ali, eu, a cabana, a casa e a infância passada.


Esperei passar o vento e a tempestade ceder

A reconstrução se inicia somente após o vento e a tempestade irem embora

Comecei a reconstruir, a reerguer os pilares da vida e da edificação

Enxergar a própria ruína e os escombros da alma

Enxergar-se é o início de todo processo de reconstrução

Eu não podia mais ficar escondido nos escombros de mim mesmo.


Enquanto subia as paredes, eu reatava meus extremos e voltava pra mim

Enquanto edificava o teto, meus alicerces se fortaleciam.

Ao mesmo tempo que as pedras que se encaixam, eu me quebrava e me moldava. 

Aqui dentro estava uma bagunça, entulhos de uma vida inteira.

Enquanto e reforma decorria eu deixava morrer o que a morte já havia sepultado,  e deixava viver o que dela ressuscitou.

Deixava partir, o que não quis mais ficar e deixava ficar o que me era importante.


Plantei novas flores no jardim, podei as folhas mortas, reguei o solo da vida, para que as novas sementes crescessem em terra boa.


Pintei a parte interna, mas antes tive que descasca-la, reparar as brechas, lixar as feridas e passar uma boa tinta para que o interior não embolore no futuro.

A pintura externa eu já estava acostumado, já colori muito o exterior para não mostrar o que estava sem cor por dentro.

Mas desta vez foi diferente, ao pintar as paredes, eu coloria a alma.


Os quadros colocados na parede se destinavam a contar histórias e a criar memórias.

Os móveis arrumados em seus lugares preenchiam os vazios do peito, os espaços em branco, os cantos desabitados que havia em mim.


A casa foi reconstruída e com ela o meu eu, enquanto ela se erguia eu reconstruía o que em mim estava desmoronado.

As cicatrizes dessa história se convertia no aprendizado da reconstrução.


Enfim era hora da cabana, tantas memórias...

As madeiras escolhidas com carinho tinham o cheiro da infância

Cada prego na madeira dava sentido à construção

Enquanto envernizava pensava em como é difícil tirar todo o verniz com que fomos feitos. São camadas e camadas de regras, verdades, mentiras e convenções - impregnados por anos a fio, moldando-nos, sufocando-nos.

Cabana arrumada reconheci nela o meu lugar, abri a janela e deixei o sol entrar.

O sol iluminou tudo por dentro, trouxe vida nova, leve e em paz.


A reforma terminou, o caminho exigiu aprendizado, muitas vezes, dolorido.

A casa, a cabana e eu... 

Nossos pedaços, nossos interiores estavam reparados.

Muitos fragmentos perdidos foram muitos, mas estávamos reconstruídos

Somente quando a casa interior foi arrumada é que encontrei a forma ideal para o exterior.


Eu me tornei casa arrumada

Eu quis mudar o mundo, quis conquistar e ser reconhecido. 

Hoje eu quero bem pouco, só o que possa levar comigo. 

Escrevo da cabana reformada, como um menino que nunca saiu dali.




terça-feira, 2 de maio de 2023

AS CORES DO OUTONO DESENHARAM MEUS CAMINHOS




O outono chega e as folhas mudam de cor e caem ao primeiro vento, poupando sua essência vital e adquirir força suficiente para passar o Inverno.

O outono é o tempo a envelhecer, tempo de  abrir mão para seguir firme para os próximos ciclos, e continuar a crescer.

É a estação da transição, de mudanças rápidas do tempo, é também tempo do amadurecimento dos frutos.

É tempo de arar, adubar, podar e preparar a terra para novas semeaduras.


A natureza segue seu ciclo de transformação e se ajusta as mudanças.

Assim como é na natureza, também acontece dentro de nós.

Temos necessidade de um tempo para nos recolher, olhar pra dentro e nos avaliarmos.

É o tempo de deixar ir o que não nos faz bem, para que nossas forças possam gestar novos tempos e novas estações.

É o momento de movimentos de partida, de nos livrarmos de sentimentos antigos e de situações que nos fizeram sofrer.


No outono, a natureza está em um ritmo mais leve e desacelerado.

É o momento de economizar energia, emoções e pensamentos, de livre-se da sobrecarga e reduzir o ritmo, observar a vida, num processo ordenado e sublime.

Nossa existência é transitória como as nuvens do outono.

Que o outono faça comigo o que ele faz com a folhas, leve o que não cabe mais para dar espaço ao novo.


Busco, no outono, me apaixonar pelas raízes, pois quando não houver flores que eu saiba que as folhas secas, esparramadas pelo chão, serão levadas pelo vento.

E o jardim ensolarado, dentro de mim, anunciará o tempo colher flores. 


De estação em estação, como na natureza, aprendi, em mim, a obedecer meus ciclos

Hoje sei como voltar: as cores do meu outono desenharam meus caminhos.

sábado, 22 de abril de 2023

PEGOU O ÚLTIMO TREM E PARTIU

 



Ela pegou o último trem essa noite, não deixou rastros, partiu. 

Foi para muito longe

E nem se despediu

Foi para onde não pode mais ser alcançada. 

 

O vão entre o que se quis e o acontecido foi profundo demais. 

Ela não suportou, entrou no último trem e partiu.

Não deixou laços, não deixou amarras.

Apenas se foi, solta para algum lugar que não se sabe onde

 

Ela não quer ser encontrada

Quer ficar só pois está sobrecarregada

Ela carregou sobre si os entulhos de uma vida inteira. 

Não pode mais resistir, desabou, juntou seus pedaços, fez as malas e partiu. 


Foram feitos tantos remendos em seu avesso 

Que a dimensão do seu pequeno mundo cedeu, rasgou. 

Restou à ela ir embora. 

Ela partiu sem passagem de volta, não fará movimento de retorno, ela não sabe voltar.



quarta-feira, 5 de abril de 2023

CARREGADOS DE TEMPESTADE, NOSSA NATUREZA ESTÁ NUBLADA

 




Nada tem nexo, tudo é apenas um reflexo “Millor Fernandes”


Somos o reflexo daquilo que nos ilumina, invariavelmente, se o que nos “ilumina” são trevas, é a escuridão que vamos refletir.

Somente o espelho da consciência mostra, de fato, quem somos. Os outros espelhos mostram, apenas, egos refletidos.


Estamos vivendo uma atmosfera carregada de tempestades, e a nossa natureza está nublada.

Sem poder olhar adiante, não estamos encontrando a direção, estamos perdidos no meio do caminho, e a chegada está incerta.


Somos o reflexo da sociedade em que vivemos. 

Somos o reflexo de cada pessoa que passa por nós, pessoas múltiplas, de diferentes origens e contextos sociais, de percursos e de uma infinidade de histórias.


Erguem-se dias difíceis a cada nova manhã, o que está acontecendo conosco? Divididos e raivosos. O mundo está ao contrário.

Tempos difíceis, em que  temos a vontade e a necessidade de viver, mas não a habilidade.


São tempos de larga mudança nos valores, passamos por mudanças bruscas que pensamos  - nos transformaria - e transformou, só não foi para melhor. 

A velocidade com que a informação flui no mundo moderno, torna cada dia mais complexa a manutenção do que conhecemos por relações humanas. Pessoas se tornaram descartáveis. E ao não terem serventia, simplesmente descarta-se.


No livro “Amor Líquido” Bauman escreve:

“Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis: um é segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois”.


Não temos liberdade e nem segurança, o que dirá os dois.

Em tempos de relações imediatas, pautadas no momento e no que podemos obter, esquecemos de ser. De ser para nós e ser para os outros, lembrando que somos parte ativa das vivências que construímos e das experiências que compartilhamos.

Em tempos difíceis substituímos abraços por sorrisos, Os relacionamentos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água.


A tecnologia que foi feita para nos aproximar, também nos distanciou, e a distância que impusemos ao mundo, trouxe consigo uma mudança permanente no modo como a sociedade se desenvolve, e, na maneira como ela se seguirá.

As pessoas seguem a correnteza, e entre desapegos e desafetos, vamos nos afogando num mar de incertezas, onde ninguém sobreviverá.


terça-feira, 28 de março de 2023

EU: A CAPELA ABANDONADA

 



Eu finalmente estava na ponta da mais alta pedra, na mais alta das montanhas, vislumbrando os montes, apreciando o mar e sentindo o toque leve do vento.

Águas cristalinas em toda a imensidão ao redor, contemplava o céu, infinitamente, límpido. 

A vastidão do mar e o infinito do céu formando uma só paisagem, como se unidos estivessem. No ar passeando pelo infinito,  eu avistava a imensidão do tempo. 

O tempo presente se faz ausência, meu olhar que contemplava tudo ao redor, toda a beleza e riqueza que meus olhos pudessem alcançar.

A brisa do vento penetrava em mim. 


Ao contemplar toda a vastidão do horizonte, me peguei avistando, ao longe, algo que parecia ser uma capela. 

Voltei meu olhar para o céu, vi os pássaros em voos, como se num balé, saudando a natureza. 

Na imensidão do mar contemplava toda beleza do que estava a minha frente, e do que em meus sonhos eu planejava um dia avistar.

Olhei o caminho das pedras até o mar, pareciam esculpidos a mão, e na verdade é, pelas mãos de Deus. 

Meu olhar se encontrava novamente com a capela, casebre ou algo parecido.

Me perdi novamente na paisagem, todo o verde que gentilmente cobria as pedras, desenhando lindos contornos, formando um tapete esculpido pela natureza. 

Nas nuvens que desenhavam o céu me perdi como na infância,  encontrando desenhos de cavalos, sereias, golfinhos, e muitas outras figuras no céu, que deixavam o meu coração feliz.

Hoje os meus olhos vêm muito mais que isso, mas o coração já não sente.


Novamente desviei o olhar para a precária construção, perdida ali, no meio do nada.

Algo me envolvia ali, percebi que havia uma trilha até lá, que não me parecia tão longe pra se chegar, eu olhei com mais cuidado e me perdi em sua arquitetura, que me perecia, bela mas empobrecida. 

Tendo admirado tudo ao redor, a beleza infinita da natureza e mesmo querendo estar exatamente ali, algo me empurrava para a capela.

Me deixei levar.


Caminhava com passos curtos e olhar atencioso, descia o vale com outro olhar agora, percebi que na ânsia de chegar ao topo não me atentei ao caminho, o foco me tirou a visão do todo.

E me dei conta do caminhar, das pequenas pedras no chão, do fio de água que corria montanha à baixo, das folhas que mesmo após caírem das árvores, se transformaram para embelezar o chão. 

Continuei caminhando, percebendo a tom do verde, a cor das folhas secas, observando a beleza das palmeiras, sentindo o cheiro das rosas, pisando as pequenas pedras no caminho.


Me peguei sorrindo, atentando a beleza do caminho.

No caminhar senti a mudança do vento, os contornos da paisagem, os meandros da vereda.

Não me dei conta da sua beleza, das sua importância, nem mesmo das dificuldades que enfrentei. O objetivo da chegada, me fechou os olhos para o caminho.

Meus passos seguiam firmes e eu seguia contemplando as partes do todo. 


Olhando da montanha, a capela não me parecia longe, mas caminhei não sei por quanto tempo, me pareceu uma caminhada bastante longa, mas não senti o cansaço, apenas andava e aprendia, ao caminhar, a contemplar o caminho.

Percebi enquanto descia,  os muitos obstáculos que enfrentei na subida.

Por muito tempo caminhei, e o caminho transformava a mim, o caminhante.


Quando cheguei era diferente o lugar, a capela com a bela construção era bem menor do que avistei lá de cima e mais envelhecida do que me pareceu.

Parecia abandonada e sem cuidados, triste e esquecida.

Uma parte de mim não queria entrar, não estava confortável em faze-lo, fiquei ali parada olhando pro nada, pensei em o quanto andei para estar ali e agora simplesmente não queria explorar.

Uma outra parte me empurrava em direção a porta, era magnético eu não podia evitar.

Me deixei levar.


Empurrei a porta, parecia emperrada, forcei,

A porta era pesada, velha e enferrujada difícil de abrir. 

Forcei mais um pouco e então se abriu, rangendo e parecendo se negar a me deixar entrar, entrei.

Ao entrar era só vazio e solidão, sujo e sem vida, escuro e frio.

Paredes rachadas e entulho nos cantos.


Uma fresta de luz invadia o ambiente pelo teto, que também estava em ruínas. 

Por instantes me perdi no brilho da luz refletida. E ao me perder na pequena fresta de luz que tentava penetrar a escuridão do lugar eu a entendi o sentido do momento, o significado do caminho, a razão da chegada.

Ao chegar no topo da pedra, no alto da montanha, o caminho finalizado, a meta  concluída, o objetivo foi alcançado mas eu não estava mais ali, eu estava adiante.


Eu cai em mim, de que era a primeira vez que eu olhava para onde eu estava, não estava olhando para frente, para o que eu queria alcançar.

O meu olhar sempre a frente não enxergava o que estava ao redor, menos ainda o que estava dentro.

Me dei conta que o que estava dentro, estava abandonado, envelhecido, triste, empobrecido, era escuro e vazio. 

Eu não abria as porta em mim, há algum tempo, ela enferrujou, virou desamparo.

É difícil entrar em um lugar assim, é preciso forçar, e a dificuldade em penetrar faz muita gente desistir, inclusive nós mesmos.


Por falta de cuidados, quando você não olha pra dentro, o lugar fica vazio e só, sem vida, escuro e frio, racha as paredes da vida e acumula entulho nos cantos do tempo.

O lugar fica desprotegido e vira desamparo.


A capela longe, era a distância entre mim e o que está dentro, o abandono e desabrigo é o meu descuido com o que há em mim. 

Por tanto tempo me preocupei com o que estava fora e adiante que esqueci de cuidar do que estava dentro e próximo, me preocupei com o caminho e esqueci a caminhada, me importei com o brilho da luz que queria alcançar e deixei a escuridão entrar e tomar lugar da luz que havia aqui, dentro de mim.


Quando enfim entendi o que vislumbrava na fresta de luz, me deixei levar. 

Tudo, dentro de mim, se iluminou e eu dei conta da beleza do que estava dentro e fora. 

As paredes do tempo tinham marcas do que vivi, os cantos entulhados as muitas experiências que carreguei, a poeira era para encobrir os maus momentos e

então a luz se fez e invadiu todo o lugar.

Penetrou a capela, penetrou a mim. Encheu o lugar, encheu o meu eu.

De repente, tudo era luz e imensidão, era cheio de vida e acolhedor, vi o que era beleza dentro de mim.


Não era o topo da montanha, não era o alto da pedra, não era o soprar do vento, e nem mesmo a capela, era eu, mas o meu desassossego não me deixou ver.

Busquei por muito tempo o que era eu, e me perdi. 

E quando encontrei o que não era eu, então eu me vi. 

Entendi que eu não precisava ter ido tão longe, para encontrar o que esteve o tempo todo aqui.

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