segunda-feira, 28 de setembro de 2015

DUALIDADES POSSÍVEIS



O universo criado no caos
Na explosão gerou-se a vida
Das trevas nasceu a luz
Do nada o tudo se fez
Da noite se fez o dia
Dualidades possíveis

A criação feita do que não tinha vida.
E a vida que começou com a morte
Um casulo em metamorfose
A majestosa borboleta que larva foi outrora
Esperanças duais

Sonhos que se realizam
Realidades não sonhadas
Uma vida inteira de expectativas
Expectativas que não viemos a ter
Dualidades vividas

Um tornado em alto mar, nada causa além de agitar as águas
Em terra destrói tudo ao redor
Casualidades remotas e acasos constantes
Dualidades possíveis, possibilidades duais

O ser, que não é
O que é, e nunca quis ser
O sol sempre a nascer, ainda que ninguém o perceba,
E a lua tímida centena de vezes menor que o sol não tem tem como não ser percebida
Dualidades...

De tudo que temos nada se levará
Do nada que somos, cabe o mundo inteiro dentro de nós
Do pó da terra que fomos criado
Do pó da terra que nos tornaremos
Dualidades do Criador

Dualidades de quem ousou ser mais de um
Dualidades de quem amou o mundo, sem ao mundo pertencer
Dualidades que nos fez

Dualidades que somos nós...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

SOU EU QUEM ENCENA O MEU TEATRO



No teatro de marionetes, eu sou mais um boneco.
Não o que brilha quando as cortinas se abrem
Nem o que é aplaudido quando as luzes se acendem.

Talvez o coadjuvante com uma fala qualquer.
Ou aquele esquecido num canto, que só uma vez ou outra entra em cena.
O ator frustrado de pequenos papéis, o figurante mudo de algo sem audiência.

Mas no espetáculo da vida, sou eu quem dirijo as minhas próprias cenas
Atuo com segurança as linhas escritas por mim
Represento meu próprio papel, sou protagonista da minha própria história.

Meu monólogo não tem espectadores, sou eu quem me assisto através do espelho.
Sou o artista que se aplaude.
Não preciso de espectadores, sozinha sou minha própria platéia.

Sei quem sou e qual o meu papel
Sou a atriz principal no show da minha vida.
Não há dublês nas ações perigosas;
Minhas comédias só aos outros fazem rir; 
Meus dramas são encenados no meu íntimo; 
E as ficções não se enquadram na minha realidade.

Não há heróis nos meus quadrinhos
Não há cavaleiros nas minhas épicas batalhas
Minhas guerras, luto-as internamente
E os romances vividos... Acabam quase sempre em tragédias.

A minha auto biografia, sem continuações, vem sendo escrita por um autor renomado
Que apostou em um iniciante.
Escrita por Deus, que escalou um iniciante nos caminhos da vida,
Sempre aprendendo com um novo personagem, com outros atores e com novas histórias.

No filme da vida, o "gravando" conta desde que vim ao mundo , e o cortar da cena final, marcará o fim da história do que fui e deixei ser, do que aprendi e ensinei, do que rasurei e do que deixei escrito para ser lido.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O RIO E SEU IMENSO VAZIO



O rio ainda que transbordante nada possui, pois tudo que ele recebe, se vai tão rapidamente...
O rio com seu imenso vazio sabe para onde ir, e não se apressa, sabe que ora ou outra vai chegar.
Ele conhece a calmaria, e tem intimidade com a tempestade, tudo suporta, tudo sofre, tudo espera. Pois sabe que seu curso já foi escrito e seu caminho é um só, seguir seu destino.

A imensa solidão não impede o rio de correr, de oferecer suas águas àqueles que o maltrata. De ser o frescor a quem em seu leito se achega.
Ele a todos recebe, bons ou maus tem lugar em suas águas e em seu imenso vazio.

Das margens não é possível conhecer o rio, nem ele a si mesmo conhece, pois não se encontra duas vezes com as mesmas águas. Elas vem e vão, deixando-o só, com suas muitas lembranças.

Quando suas águas encontram dificuldades para passar, ele aponta um novo caminho.
Ensina as águas a atravessar as pedras, a mudar a direção.
O amor, assim como o rio faz com suas águas, aponta um novo caminho toda vez que encontra obstáculos.

Bertolt Brecht sabiamente citou "Todo mundo chama de violento a um rio turbulento, mas ninguém se lembra de chamar de violentas as margens que o aprisionam"
A margem não se importa com o rio, ela o oprime, não o deixa correr, ela se estende por todo o rio, mas não deixa o rio sobre ela se estender.
Mas o rio não se importa, se sente feliz em seu imenso vazio, se sente em paz no seu imenso silêncio, sabe lhe dar com o barulho dentro dele, e se sente útil por refletir a luz das estrelas e fazer a noite mais clara.

Jamais o rio se encontrará com as mesmas águas, essas já passaram.
Outras haverão, essas não mais. Ele espera ansioso por novas águas.
Mas as muitas águas não conseguem apagar o imenso vazio que o rio traz.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

AS LETRAS QUE SURGEM ENCHEM PÁGINAS INTEIRAS



Aos poucos a vida vai entrando nos eixos
Vai tomando forma, criando novos conteúdos, formando novas histórias
E as letras que surgem vão enchendo páginas inteiras.

É uma nova vida sendo escrita. 
Onde as aquarelas do tempo possuem mais cores, mais brilho, mais luz.
São capítulos sendo narrados em uma outra linguagem;
A linguagem do amor, da paz, do recomeço.

São laudas inteiras deixadas para trás, como um navio que vai ao longe.
São folhas que não quero remexer.
São narrativas passadas, rabiscadas num outro tempo;
O tempo que passou...

É o tempo presente escrevendo um novo dia, 
Desfazendo teorias, criando poesias e cantando palavras.

São letras que se formam, frases que vão fazendo sentindo;
Versos interpretando um novo caminho;
Parafraseando o horizonte que vejo a minha frente.

E o que era, vai deixando de ser e se transformando no que há de vir.
Leitura saboreada com a paciência de quem quer viver, quer ser...

terça-feira, 3 de março de 2015

SENTIDO E DIREÇÃO



Somente quando eu parei de esperar, é que eu conseguí.
Somente quando eu parei de procurar, foi que eu encontrei
Somente quando eu parei de correr, é que eu então alcancei.

Quando decidí ser quem sou, independente do reconhecimento das pessoas, parei de me decepcionar.
Hoje não faço nada esperando algo em troca, muito menos gratidão. Ela nunca vem de quem se espera mesmo.

Se assim não fosse, não poderia esperar o que só Deus me daria, a graça. Por que essa também eu não merecia, e mesmo assim Ele me deu gratuitamente.

Nada nem ninguém, poderia ser por mim aquilo que eu devia ter sido.
Rastros e pegadas não fizeram o meu caminho, olhar para a frente foi o que o fez.
Sentido e direção...
Errando é certo, desviando-me talvez, mas com o coração no foco e o olho na meta, só assim consegui acertar.

Assim persisto, na direção do caminho, na espera da chegada e no aconchego do encontro.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ASSIM COMO O PÁSSARO, EU VÔO



Eu sou como um pássaro que voa em direção a tempestade
Ele sabe que vai doer, mas é o seu destino

Em algum lugar tão longe dentro de mim, o pássaro voa
Como eu, ele olha o horizonte e não consegue enxergar além, mas voa...

Mesmo sem saber que o horizonte pode ser logo alí
Indo nas asas do pássaro, o tempo voa, ele leva um tanto de mim
Mas deixa um tanto aqui

O pássaro sabe que o fator determinante da sua felicidade
Não são as escolhas, mas sim as renúncias, como eu também sei
Porém no horizonte que contemplo a minha frente, não enxergo o que me espera
Dor ou alegria, choro ou riso, vida ou morte
Mas, assim como o pássaro, não saberei se não viver

Posso não vir a achar o que procuro, mas vai valer a busca, vai valer o encontro
Vai valer o tempo, vai valer a vida...
Ainda que no final não tenha valido a pena

Assim, como o pássaro, prossigo em meu vôo
Porque todos os dias é um recomeço
E o horizonte que contemplo a minha frente
Se veste de mim para me receber



sexta-feira, 2 de maio de 2014

ENTRE O PARTIR E O FICAR


Posso ir embora e nunca mais voltar, deixar aqui parte de mim mesma.
Posso me arrepender e um dia voltar, e nada ser como antes, nem mesmo encontrar a parte que deixei.

Posso até ficar, e nada mudar, mas terei que me conformar com isso.
Ou tudo pode mudar e eu terei a certeza de que valeu a pena.

Posso sofrer por perder alguém se eu partir, mas perder não tem nada a ver com partir, posso perder ficando.
Porém se eu perder por ter partido
lembrarei com carinho ou orgulho de algum momento importante na vida.
Se eu ficar e perder, terei perdido também a mim mesma.

Mas entre o partir e o ficar, o que vai me fazer falta mesmo? O que vai doer bem fundo. Que saudades me farão chorar?
Entre o partir e o ficar, encontro o mesmo espaço:
O dos momentos simples:

Os abraços que outrora me fez feliz
Os abraços que em algum lugar me espera.

Do caminho que me levava pra casa, quando a casa era eu mesma.
Do caminho que me levará a algum lugar onde me sentirei em casa novamente,

A diversão natural do sorriso sem compromisso e hoje já são tão poucos.
A diversão natural dos muitos sorrisos que poderei encontrar.

Entre o partir e o ficar, procuro algumas verdades:
O que me deixará em paz comigo mesma;
A renuncia não quer dizer que eu não ame; apenas que me conformei com o que não era para ser
As vezes pra fazer alguém ficar, é melhor deixá-lo partir.

Entre o partir e o ficar existe tanto...

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

MUDAR IMPLICA EM VIVER, APENAS VIVER...



Esperamos tanto por mudanças.
Esperamos tanto que o outro mude.
E quando percebemos que esperamos demais, então nós mudamos e os outros não precisam mais mudar.

As mudanças são duras, por vezes trazem perdas e lágrimas.
Mudar significa transformar, deixar algo para trás, isso implica determinação.

Ninguém consegue mudar algo que não deseja que seja mudado
Mudança é desapego, tomar a decisão de partir para o novo
E transformar o antigo em aprendizado
Isso implica verdade e coragem.

Mudar traz sofrimento, mas pode ser altamente compensador
A dor ensina quando se faz disso renovação.
Isso implica abnegação

As vezes a mudança significa retorno
Retomar aquilo que foi perdido ou esquecido
Renovar sentimentos e relembrar momentos
Significa querer de volta aquilo que um dia fora importante
Isso implica foco e força para buscar

As mudanças nunca ocorrem sem inconvenientes, até mesmo do pior para o melhor.
Não se deve temer os ventos de mudança, deve-se temer a brisa do que nunca muda.
Isso implica paciência

Mudar é doloroso, mas necessário Nada sobrevive sem transformação.
Estamos em constante mudança e isso nos faz novo, vivo e humano
As vezes mudar é voltar a ser quem você foi um dia, e por alguma razão esqueceu de ser
Mudar implica em viver, apenas viver...



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A PONTE QUE ME SEPARA DO RESTO DE MIM


Me escondo dentro de mim, ando só com os meus segredos
Vim morar dentro de mim, pois é o lugar onde me sinto segura
Fecho as portas e me tranco dentro de mim, de onde eu não quero mais sair

Ressurgi de onde eu não imaginei...
As vezes acho tudo indiferente e sempre igual
Quase sempre dou o que me custa caro
E o que recebo cabe na palma da mão

As palavras moram em mim
No entanto, elas se perdem no que eu sou
Ao sair perdem a importância que eu as tinha dado
E não ganham a atenção que mereciam de mim, do lado de fora

Não posso atravessar a ponte que me separa do resto de mim
Resta um pouco de tudo em mim nesse lado do rio
Mas e se a travessia me custasse a possibilidade da perda do pouco que ainda reside aqui

Por vezes minha imaginação
caminha para bem longe, procurando um lugar mais calmo
onde a paz se esconde
Mas as pontes que quero atravessar sempre me levam onde não posso ficar

Continuo no caminho... Buscando a ponte que me unirá ao restante de mim

terça-feira, 5 de novembro de 2013

EU SOU AS GOTAS DA CHUVA


A chuva que corre lá fora, respinga em mim aqui dentro.
Eu fecho as portas para ela não entrar, mas deixo partes de mim do lado de fora

Enlevei-me no som das gotas que batem na janela
Elas parecem bater desesperadas para entrar
Querem ocupar um lugar que lhes pertence
Sem perceber, eu notei... eu sou a as gotas da chuva
Sou eu quem quer entrar... Ocupar dentro de mim um espaço;
Que as muitas águas que passaram eu deixei levar…

As águas que passaram levaram com elas sonhos que sonhei,
Projetos que não realizei e muito do que conquistei
Mas se as águas os levaram com tanta facilidade
É porque foram sonhos que não foram integralmente sonhados,
Projetos não tão bem planejados e conquistas q não eram minha de verdade.

As gotas que batem na janela são as muitas lágrimas que chorei,
Tantas que eu nem sei…
Mas que fizeram de mim parte do que sou, me construiu e destruiu,
Mas o mais importante é que me ensinaram que a vida é uma eterna reforma,
Desconstrução e reconstrução, pedaços de mim que vai ficando pelo chão
A chuva vai passando, eu sinto o cheiro que deixa no ar,
Cheiro da minha infância, das rodas de amigos interrompidas pelo seu cair,
E das muitas vezes que o seu derramar sobre mim fez renovar-me.

Ela vai embora e eu fico aqui sentindo que mais uma vez ela leva partes de mim.
Porque na verdade a chuva sou eu, é a vida que em mim habita
E que com seu passar vai perdendo partes de sí.

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