quinta-feira, 21 de abril de 2016

O “PRA SEMPRE” NÃO DEPENDE DA GENTE



Ainda me surpreendo com aquilo que não deveria ser surpresa
Ainda choro com o que não merece minhas lágrimas
Ainda busco o que sei, nunca irei encontrar
Ainda sonho, com o que não deveria mais sonhar
Ainda...

O sol as vezes se esconde mas ele ainda está lá
Esperando que as nuvens abram espaço para que ele volte a brilhar
Ele pacientemente espera, pois sabe que tem seu lugar

A gente não se dá conta quando diz “pra sempre”
E esquece de viver sozinho
Esquece que o “pra sempre” inclui o outro
E que o sempre do outro foi acabando de mansinho
Então vamos vivendo o “pra sempre” sozinho
Esperando que o “ainda” faça sentido no outro
E que a esperança encontre pouso
Onde as palavras perderam o ninho

As coisas que nem sempre são pra sempre
Nos fazem perder o rumo, a direção
Mas a esperança grita: segue o seu destino
Bata as asas, não olhe para o chão.

O sol sempre há de brilhar
Mesmo que as nuvens demorem a abrir espaço
O “pra sempre” não depende da gente

Mas que o “ainda” seja o nosso lugar.  

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O QUE ENXERGA O CORAÇÃO




Que os meus olhos possam apreciar as pessoas não pelo que elas são
Mas por aquilo que elas podem tornar-se

Que os meus olhos possam ver sempre a melhor parte
Tornar os buracos pouco visíveis
Ainda que os erros tornem grande as imperfeições.

Que os meus olhos possam ver além das aparências
Enxergar aquém do que o homem pode mostrar.
E ao pousar os meus olhos com amor, entender tudo aquilo que o outro pode revelar.

Que os meus olhos possam contemplar o coração
Ver a bondade escondida, onde mesmo ela nem habite.
Enxergar o que de melhor possa haver.
Ainda que o exterior não seja bom de se ver

Os olhos de quem enxerga com amor;
Vê brilho onde não há beleza aparentemente.
E que o brilho, ainda que ofuscado, nunca deixe de ser o que me inspira.
Seja sempre o brilho, o que enxerga o coração.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

VAI HAVER DIAS



Vai haver dias em que eu desejarei à noite e o silêncio que ela ecoa.
Vai haver dias em que eu desejarei o dia e o barulho das pessoas a passar por mim.
As vezes o tempo parece que fica mais rápido que a vida. E esquecemos de dar importância ao que realmente tem valor.
E, sem o sentido da passagem dos dias, da importância dos momentos, de começo e fim, ficamos também sem presente, vamos perdendo a noção do tempo, que fica sem sossego, sem noite e sem dia...


Vai haver dias que eu cansarei de lutar e me entregarei inerte ao cansaço.
Vai haver dias que em mim tanta força haverá que me sentirei capaz de mover o mundo.
Examino ao meu redor, e percebo a natureza, que em sua infinita sabedoria, ainda que judiada e machucada pela mão do homem não deixa de dar a ele sua beleza e seu sustento.
Que a natureza nos sirva de exemplo: de como amar, servir, se renovar.
E como entender que mil anos não bastam para aprender a fazer o bem.


Vai haver dias em que terei vontade que tudo permaneça igual.
Vai haver dias em que desejarei mudar tudo ao redor.
Perder dói, abandonar algo traz marcas, mas os milagres só acontecem quando deixamos que o inesperado aconteça.
Mover-se faz com que nós possamos ver caminhos que não podíamos enxergar parados.
Muitas vezes perder algo de valor é o jeito de encontrar algo ainda mais precioso no caminho.


Vai haver dias em que perderei a fé nos homens.
Vai haver dias em que os homens restaurarão a minha fé.
As ações dos homens são as melhores intérpretes dos seus pensamentos. As palavras passam com o vento, mas as atitudes se firmam como a rocha.
O que digo nada importa, se não for acompanhado do que eu faço e do que eu sou.


Sempre haverá dias... Bons ou Maus, Longos ou Curtos.
Mas sempre, ainda que eu não veja, haverá esperança nos dias de solidão, respostas nos instantes de dúvidas, e certeza nos meus momentos de fé. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

AS PALAVRAS, SUAS MELODIAS E SEUS TONS


No que as palavras não dizem encontramos respostas,
No que elas não cantam extraímos o som perfeito.
No que elas se calam repousa o conforto
No que elas gritam sobram desencontros.

Amo as palavras, amo o que não se diz através delas.
O tom da sua afinação e a melodia dos seus sentidos.
Amo o compasso dos seus sons, com seus pulsos e repousos.

Amo as palavras escritas com estrofes que rimam e com poesias cantadas
Seus sons harmoniosos fazem bem à alma.
Mas as palavras que saem sem direção, desconstroem a harmonia.
Deixam sem ritmo a composição.
O descompasso de sua harmonia, entristece o coração.

As palavras que cantam estrofes sem rimas, desencadeiam os acordes.
Propiciam desencontros de sons
Tornam dissonantes as suas notas.

A harmonia se articula com a organização interna, com sabedoria em recitá-las.
O sarau dos seus sentidos faz dançar a multiplicidade dos seus tons.

O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe...
Que o silêncio ganha em seus efeitos
Quando a palavra perde em seu significado.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

DUALIDADES POSSÍVEIS



O universo criado no caos
Na explosão gerou-se a vida
Das trevas nasceu a luz
Do nada o tudo se fez
Da noite se fez o dia
Dualidades possíveis

A criação feita do que não tinha vida.
E a vida que começou com a morte
Um casulo em metamorfose
A majestosa borboleta que larva foi outrora
Esperanças duais

Sonhos que se realizam
Realidades não sonhadas
Uma vida inteira de expectativas
Expectativas que não viemos a ter
Dualidades vividas

Um tornado em alto mar, nada causa além de agitar as águas
Em terra destrói tudo ao redor
Casualidades remotas e acasos constantes
Dualidades possíveis, possibilidades duais

O ser, que não é
O que é, e nunca quis ser
O sol sempre a nascer, ainda que ninguém o perceba,
E a lua tímida centena de vezes menor que o sol não tem tem como não ser percebida
Dualidades...

De tudo que temos nada se levará
Do nada que somos, cabe o mundo inteiro dentro de nós
Do pó da terra que fomos criado
Do pó da terra que nos tornaremos
Dualidades do Criador

Dualidades de quem ousou ser mais de um
Dualidades de quem amou o mundo, sem ao mundo pertencer
Dualidades que nos fez

Dualidades que somos nós...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

SOU EU QUEM ENCENA O MEU TEATRO



No teatro de marionetes, eu sou mais um boneco.
Não o que brilha quando as cortinas se abrem
Nem o que é aplaudido quando as luzes se acendem.

Talvez o coadjuvante com uma fala qualquer.
Ou aquele esquecido num canto, que só uma vez ou outra entra em cena.
O ator frustrado de pequenos papéis, o figurante mudo de algo sem audiência.

Mas no espetáculo da vida, sou eu quem dirijo as minhas próprias cenas
Atuo com segurança as linhas escritas por mim
Represento meu próprio papel, sou protagonista da minha própria história.

Meu monólogo não tem espectadores, sou eu quem me assisto através do espelho.
Sou o artista que se aplaude.
Não preciso de espectadores, sozinha sou minha própria platéia.

Sei quem sou e qual o meu papel
Sou a atriz principal no show da minha vida.
Não há dublês nas ações perigosas;
Minhas comédias só aos outros fazem rir; 
Meus dramas são encenados no meu íntimo; 
E as ficções não se enquadram na minha realidade.

Não há heróis nos meus quadrinhos
Não há cavaleiros nas minhas épicas batalhas
Minhas guerras, luto-as internamente
E os romances vividos... Acabam quase sempre em tragédias.

A minha auto biografia, sem continuações, vem sendo escrita por um autor renomado
Que apostou em um iniciante.
Escrita por Deus, que escalou um iniciante nos caminhos da vida,
Sempre aprendendo com um novo personagem, com outros atores e com novas histórias.

No filme da vida, o "gravando" conta desde que vim ao mundo , e o cortar da cena final, marcará o fim da história do que fui e deixei ser, do que aprendi e ensinei, do que rasurei e do que deixei escrito para ser lido.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O RIO E SEU IMENSO VAZIO



O rio ainda que transbordante nada possui, pois tudo que ele recebe, se vai tão rapidamente...
O rio com seu imenso vazio sabe para onde ir, e não se apressa, sabe que ora ou outra vai chegar.
Ele conhece a calmaria, e tem intimidade com a tempestade, tudo suporta, tudo sofre, tudo espera. Pois sabe que seu curso já foi escrito e seu caminho é um só, seguir seu destino.

A imensa solidão não impede o rio de correr, de oferecer suas águas àqueles que o maltrata. De ser o frescor a quem em seu leito se achega.
Ele a todos recebe, bons ou maus tem lugar em suas águas e em seu imenso vazio.

Das margens não é possível conhecer o rio, nem ele a si mesmo conhece, pois não se encontra duas vezes com as mesmas águas. Elas vem e vão, deixando-o só, com suas muitas lembranças.

Quando suas águas encontram dificuldades para passar, ele aponta um novo caminho.
Ensina as águas a atravessar as pedras, a mudar a direção.
O amor, assim como o rio faz com suas águas, aponta um novo caminho toda vez que encontra obstáculos.

Bertolt Brecht sabiamente citou "Todo mundo chama de violento a um rio turbulento, mas ninguém se lembra de chamar de violentas as margens que o aprisionam"
A margem não se importa com o rio, ela o oprime, não o deixa correr, ela se estende por todo o rio, mas não deixa o rio sobre ela se estender.
Mas o rio não se importa, se sente feliz em seu imenso vazio, se sente em paz no seu imenso silêncio, sabe lhe dar com o barulho dentro dele, e se sente útil por refletir a luz das estrelas e fazer a noite mais clara.

Jamais o rio se encontrará com as mesmas águas, essas já passaram.
Outras haverão, essas não mais. Ele espera ansioso por novas águas.
Mas as muitas águas não conseguem apagar o imenso vazio que o rio traz.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

AS LETRAS QUE SURGEM ENCHEM PÁGINAS INTEIRAS



Aos poucos a vida vai entrando nos eixos
Vai tomando forma, criando novos conteúdos, formando novas histórias
E as letras que surgem vão enchendo páginas inteiras.

É uma nova vida sendo escrita. 
Onde as aquarelas do tempo possuem mais cores, mais brilho, mais luz.
São capítulos sendo narrados em uma outra linguagem;
A linguagem do amor, da paz, do recomeço.

São laudas inteiras deixadas para trás, como um navio que vai ao longe.
São folhas que não quero remexer.
São narrativas passadas, rabiscadas num outro tempo;
O tempo que passou...

É o tempo presente escrevendo um novo dia, 
Desfazendo teorias, criando poesias e cantando palavras.

São letras que se formam, frases que vão fazendo sentindo;
Versos interpretando um novo caminho;
Parafraseando o horizonte que vejo a minha frente.

E o que era, vai deixando de ser e se transformando no que há de vir.
Leitura saboreada com a paciência de quem quer viver, quer ser...

terça-feira, 3 de março de 2015

SENTIDO E DIREÇÃO



Somente quando eu parei de esperar, é que eu conseguí.
Somente quando eu parei de procurar, foi que eu encontrei
Somente quando eu parei de correr, é que eu então alcancei.

Quando decidí ser quem sou, independente do reconhecimento das pessoas, parei de me decepcionar.
Hoje não faço nada esperando algo em troca, muito menos gratidão. Ela nunca vem de quem se espera mesmo.

Se assim não fosse, não poderia esperar o que só Deus me daria, a graça. Por que essa também eu não merecia, e mesmo assim Ele me deu gratuitamente.

Nada nem ninguém, poderia ser por mim aquilo que eu devia ter sido.
Rastros e pegadas não fizeram o meu caminho, olhar para a frente foi o que o fez.
Sentido e direção...
Errando é certo, desviando-me talvez, mas com o coração no foco e o olho na meta, só assim consegui acertar.

Assim persisto, na direção do caminho, na espera da chegada e no aconchego do encontro.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ASSIM COMO O PÁSSARO, EU VÔO



Eu sou como um pássaro que voa em direção a tempestade
Ele sabe que vai doer, mas é o seu destino

Em algum lugar tão longe dentro de mim, o pássaro voa
Como eu, ele olha o horizonte e não consegue enxergar além, mas voa...

Mesmo sem saber que o horizonte pode ser logo alí
Indo nas asas do pássaro, o tempo voa, ele leva um tanto de mim
Mas deixa um tanto aqui

O pássaro sabe que o fator determinante da sua felicidade
Não são as escolhas, mas sim as renúncias, como eu também sei
Porém no horizonte que contemplo a minha frente, não enxergo o que me espera
Dor ou alegria, choro ou riso, vida ou morte
Mas, assim como o pássaro, não saberei se não viver

Posso não vir a achar o que procuro, mas vai valer a busca, vai valer o encontro
Vai valer o tempo, vai valer a vida...
Ainda que no final não tenha valido a pena

Assim, como o pássaro, prossigo em meu vôo
Porque todos os dias é um recomeço
E o horizonte que contemplo a minha frente
Se veste de mim para me receber



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